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2 milhões de brasileiros são empurrados para o trabalho sem direitos

Mais de 2 milhões de brasileiros migraram para o trabalho por conta própria em três anos

Piorou. Welter Dayves reclama que a venda nas ruas caiu em função da crise, o que afetou a renda dos ambulantes.

(Ludmila Pizarro) A venda de doces na calçada da avenida Paraná, na região central da capital, ocupa até 13 horas do dia de Sandra*, 55. “Bom mesmo é ter carteira assinada”, diz. Ela foi assistente de um médico radiologista até 2015, quando a clínica em que trabalhava fechou. “A profissão foi praticamente extinta, não consegui outro serviço e passei a vender na rua”, relata. Como Sandra, mais de 2 milhões de brasileiros migraram para o trabalho por conta própria entre os três primeiros meses de 2014 e o mesmo período deste ano. Um crescimento de 9,7% na mesma comparação, segundo dados do IBGE. São mais de 34,31 milhões de profissionais autônomos contra 33,32 milhões trabalhando sob o regime de CLT (com carteira assinada). No Estado, a taxa de crescimento foi maior: 16,9% ou 337 mil mineiros a mais em um contingente que chegou a 2,3 milhões de pessoas no primeiro trimestre de 2018.

Desde 2016, Alisson Júnior Teófilo Santos, 21, é ambulante na capital mineira. “Hoje eu vendo amendoim, mas já fiz salgado e bolo de pote. Faço em casa e vendo na rua, sempre tive o dom de vender”, orgulha-se. “Eu era vendedor de sistemas de segurança para residências. Vendia e instalava o equipamento na casa do cliente. Trabalhei quatro anos nessa empresa que faliu no início de 2016 por causa da crise. Desde então, não achei mais emprego”, conta. O IBGE aponta que, no último quadrimestre de 2017, o país contava com 414,3 mil ambulantes que vendem produtos alimentícios. No mesmo período de 2014 eram 64,6 mil, um número seis vezes menor.

“Com a falta de emprego formal, o trabalho de ambulante foi a saída que o brasileiro encontrou para superar a crise”, avalia o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

INSS. A ambulante Sandra preocupa-se com sua aposentadoria. “Quem é autônomo acaba não pagando INSS. Mas deveria, para poder aposentar. Gasta às vezes com coisa menos importante e fica sem segurança”, opina. Mas questionada se ela mesma contribui para a Previdência, como autônoma, sua resposta é que “infelizmente, não”.

A diminuição do postos de trabalho afeta também o sistema previdenciário do país. A previsão do governo é que o déficit da Previdência Social chegue a R$ 198,6 bilhões até o fim do ano. O rombo se deve a uma queda de R$ 1,9 bilhão na arrecadação. A Previdência Social pretende chegar a R$ 393,7 bilhões arrecadados até o fim do ano. Em maio, quando o relatório de receita e despesas foi divulgado, o Ministério da Fazenda informou que a redução na estimativa de receita previdenciária está relacionada à queda da massa salarial.

* Nome fictício

Renda média do informal tem queda de 15,5%

Os rendimentos médios dos trabalhadores por conta própria sofreram uma redução de 15,5% em Minas Gerais em quatro anos, índice bem acima da queda ocorrida no Brasil, de 8,4%, aponta o IBGE. Para Welter Dayves Bispo de Oliveira, 27, porém, a queda no faturamento é muito maior. “Nos últimos quatro anos, as vendas caíram, seguramente, mais de 90%. Não tem comparação”, afirma o vendedor, que relata trabalhar com comércio de bijuterias há dez anos. “Comecei quando minha irmã abriu uma fábrica, mas ela foi embora do Brasil, e os chineses chegaram e dominaram o mercado”, diz.

Para driblar o momento, Oliveira diz que aumentou as horas trabalhadas. “A gente tenta trabalhar mais, oferecer o produto para garantir pelo menos as contas. Hoje, eu trabalho para comer”, declara. As irmãs Elisama Cristina Ferreira, 23, e Stephanie Nayara, 24, cuidam hoje do carrinho de cachorro-quente Juju, que foi da mãe delas, e relatam que a crise afetou o faturamento. “Há cinco anos, o faturamento mensal chegava a R$ 8.000. Hoje, não passa de R$ 6.000. Essa confusão na política atrapalhou bastante”, afirma Elisama. Formada em ciências contábeis, ela conta que a renda da família sempre veio do negócio.

Tecnologia também ameaça

Uma nova política econômica é necessária para que vagas de emprego voltem, segundo o coordenador de política econômica do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Antônio Corrêa de Lacerda. “A política econômica está alinhada com o setor financeiro”, diz.

Ele salienta, porém, que existem problemas estruturais. “A robotização e a chamada ‘indústria 4.0’ propõem a redução da mão de obra. A junção de questões conjunturais e estruturais diminui postos de trabalho e afetam a renda”, conclui.

Minientrevista

Cimar Azeredo

Coordenador de trabalho e rendimento do IBGE

Em que momento a crise do emprego se agravou?

A crise começa em 2014 porque ali está a taxa de desocupação mais baixa, o maior índice de carteira de trabalho, menor índice de trabalho sem vínculo. O trabalho doméstico vinha em queda e começou a subir. O ambulante vinha em queda e subiu de forma muito forte em qualquer Estado que você for. Foi a saída que o brasileiro encontrou para superar a crise. O ambulante, principalmente voltado para alimentação, viu uma forma de se sustentar. Porque as pessoas precisam comer barato. Até quem está empregado não se encontra em uma situação favorável.

Isso afeta a renda do brasileiro como um todo?

Sim, porque, diante da falta de emprego, começam os acordos. Você pode continuar no emprego, mas vamos combinar um salário mais baixo. A doméstica, por exemplo, aceita fazer a faxina aqui em casa, mas por um valor menor. Começa a ter acordos até para aqueles que permanecem no emprego. E essa queda (na massa de rendimento do país) só não é maior porque a construção civil, por exemplo, demitiu no canteiro de obra. Mesma coisa a indústria, que demite o chão de fábrica. Quando você tira gente que ganha menos da média, você tem outro resultado, a massa de rendimento fica estável.

Mas o profissional liberal também não foi afetado?

Sim, vai afetar também. Tem que deixar claro isso, o poder de compra vai ser sempre afetado quando tem que se negociar.v
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