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Manga/Matias Cardoso e a ponte: quando?

O governo do Estado de Minas Gerais anunciou a contratação de uma empresa que irá executar a obra de construção de uma ponte sobre o Rio São Francisco entre os municípios de São Francisco e Pintópolis. O investimento será de R$ 192 milhões. Valor expressivamente superior ao que foi gasto, por exemplo, na construção da ponte João Guimarães Rosa entre os municípios de Carinhanha e Malhada no vizinho Estado da Bahia, executada por pouco mais de R$ 50 milhões. A ponte de São Francisco atende a uma antiga reivindicação dos moradores do Norte de Minas, uma região “esquecida” pelos poderes públicos. Os benefícios a serem auferidos pela população são expressivos, no entanto, em contrapartida, provoca certa apreensão quanto à pretensão de Manga e Matias Cardoso em terem também uma ponte sobre o Velho Chico.


Como se vê pelo volume de recursos necessários para a realização de uma obra desta envergadura, o anúncio da construção de uma ponte em São Francisco pode em muito ofuscar a realização de uma obra semelhante entre Manga e Matias Cardoso. A alocação de recursos, sobretudo num momento em que o país atravessa uma séria crise político-econômica, dependeria de várias condições, entre elas a própria capacidade do Estado brasileiro em disponibilizar investimentos tão significativos em uma mesma região e outra, e seguramente a mais importante, a mobilização social e política em face deste fim.

Neste último quesito Manga e Matias Cardoso, bem como os municípios desta microrregião, perdem feio. O cenário sócio-político é desolador. O modelo político aqui praticado tanto reflete como reifica uma condição extremamente precária de associar a sociedade às forças políticas. Herdeiro do caudilhismo do século XX, os “líderes políticos” pouco representam os interesses majoritários da sociedade. Ao acenderem ao poder, privatizam o espaço público, e determinam ao seu bel prazer aquilo que efetivamente pode ou não ser motivo dos interesses públicos. De outro modo, a precariedade das instituições, em linhas gerais subservientes a esta lógica privativa de se fazer política, inibe a mobilização social que, via de regra, se reduz aos discursos determinados por estes grupos políticos e seus líderes que digladiam entre si pelo poder.

Vê-se, ao se passar a vista pela história política recente da região, como não há projeto político (desdobrado em outras dimensões, como a econômica, a histórico-cultural, a social etc.) que aglutine no município – e muito menos nesta microrregião de Manga – a população em torno de interesses comum. Não temos, em relação à ponte, por exemplo, nenhum movimento social consolidado ou instituições que efetivamente mobilize a sociedade para tal fim.

O que resta, neste cenário precário, é a incursão de aproveitadores políticos que em momentos oportunos lançam-se a defender a necessidade da obra, sempre, ou quase sempre, com discursos vazios, desprovidos de consistência sócio-econômico-política e que visam, no mais das vezes, ganhar visibilidade diante de uma sociedade apática.

Estamos na segunda década do século XXI, décadas se passaram de sonhos maculados por uma realidade empobrecida; décadas hão de passar movida por um devaneio: a construção de uma ponte sobre o Velho Chico entre Manga e Matias Cardoso que, sem dúvida, ao tirar Manga deste estado crônico de isolamento, poderia transformar sensivelmente, para melhor, a vida de uma polução acostumada com a dor e o esquecimento.







Qual a sua expectativa em relação à construção de uma ponte entre Manga e Matias Cardoso?

- Se tornará realidade em breve
- Não terei o prazer de fazer uso dela
- Vai continuar servindo apenas aos políticos oportunistas
- Tenho outra opinião
- Não sei


soudaquimanga

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