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Em fase experimental

"Suas excelências terão coragem de sepultar a investigação contra Temer, contrariando o povo?"

(Wadih Damous) Ainda está vivo na memória dos brasileiros e das brasileiras o espetáculo dos horrores da Câmara dos Deputados, do dia 17 de abril de 2016, quando 346 parlamentares, muitos investigados por crime de corrupção, sacramentaram o golpe de estado que apeou do governo a presidenta Dilma.

Em nome de Deus, das mulheres, dos filhos e dos amigos, deputados se revezavam ao microfone para aproveitar os holofotes da mídia em pleno domingo, com direito à transmissão ininterrupta da Globo, para decretar, de forma patética, o fim da corrupção no Brasil. Para completar o circo, jogos de futebol ou foram suspensos ou tiveram seus horários modificados.

Agora que a denúncia da PGR ao Supremo, através da qual o golpista Temer é acusado de corrupção passiva, chegou à Câmara, nós da oposição estamos exigindo que a sessão que vai decidir se os deputados autorizam ou não o acatamento do processo por parte do STF também seja realizada em um domingo. É uma questão de isonomia e repeito a procedimentos que devem valer para os dois lados.

Vamos ver como se comportam os integrantes da base aliada de Temer. Com o voto aberto, proferido ao microfone, sem ter como se esconder em votações simbólicas de liderança ou mesmo acionando o teclado da votação eletrônica, terão suas excelências coragem para contrariar o clamor da população pelo “Fora Temer”, captado por todos os institutos de pesquisa?

Aliás, no país, se ergue praticamente uma unanimidade pela saída imediata de Temer. E a esmagadora maioria das pessoas quer a realização de eleições diretas para escolher seu substituto.

A impressão que se tem é que os apoiadores renitentes da permanência do usurpador se concentram apenas no Congresso Nacional, no mercado financeiro, no agronegócio e entre grandes empresários.

Contudo, a Câmara não pode se furtar em autorizar o prosseguimento da tramitação do processo envolvendo Temer.

Nessa fase cabe aos deputados verificar se a denúncia tem o mínimo de consistência. E está claro que a denúncia cumpre essa exigência. Na sequência, Temer poderá se defender no STF, a quem caberá a análise dos argumentos de sua defesa, que aponta ilegalidades na denúncia, como a obtenção de provas ilícitas através de grampos ilegais.

O que não pode acontecer é o sepultamento da investigação, tirando da população o direito de saber a verdade sobre as graves acusações que pesam contra o presidente da República.

Por tudo isso,não aceitamos a farsa da base aliada, que sobre pau e pedra, e teimando em confrontar a realidade, tenta criar um clima de normalidade que está longe de existir no Congresso.

Aliás, não temos normalidade no Brasil desde o famigerado 17 de abril de 2016. E só voltaremos a desfrutá-la quando um governo tiver a legitimidade do voto popular. Diretas Já !

Wadih Damous é deputado federal e ex-presidente da OAB-RJ
soudaquimanga

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