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Retomada lenta da economia barra crescimento do emprego

(Dimalice Nunes) Indicadores do mercado de trabalho encontraram a estabilidade, mas aumento de vagas só ocorrerá com recuperação da atividade econômica

Os números divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam uma acomodação das taxas de desemprego. Embora ainda altas - 13,8 milhões de brasileiros estão procurando emprego - os indicadores teriam encontrado um espécie de ponto de equilíbrio. A taxa de desocupação no último trimestre atingiu 13,3%.

“Os números indicam estabilidade e um novo ponto de equilíbrio, mas com um desemprego muito elevado e rendimentos achatados”, resume a economista Lucia Garcia, coordenadora do sistema de pesquisa de emprego e desemprego do Dieese. “A taxa de desocupação do IBGE cresceu de forma acelerada e agora varia pouco, mas num patamar muito elevado”, reforça.

Para a especialista, é evidente a dificuldade de retração do desemprego, uma vez que há redundância de trabalhadores no mercado e uma paralisia da economia. “Teremos que conviver com um número alto de pessoas que não têm oportunidade no mercado de trabalho”. Para ela, trata-se de um cenário que ameaça o trabalhador - que tem medo de reivindicar direitos - e derruba a renda.

A massa de rendimento recebida pelas pessoas ocupadas foi estimada em R$ 184,4 bilhões de reais de março a maio, estável tanto frente ao trimestre de dezembro a fevereiro de 2017, quanto frente ao mesmo trimestre do ano anterior. O rendimento médio também não sofreu alteração em ambas as comparações e foi estimado em R$ 2.109.

Segundo o professor do programa de pós-graduação em Economia Política da PUC-SP Antonio Corrêa de Lacerda a retomada econômica “ainda é uma ficção” e o emprego só vai melhorar quando, e se, a economia engrenar. Segundo ele, a falta de confiança e de instrumentos de incentivo à produção e a instabilidade política nos torna "reféns da estagnação".

Para Lacerda, a renda do trabalhador acumulou fortes quedas e quando se estabilizou foi num patamar muito baixo. Segundo o professor, não há elementos de melhora. "A renda baixa e o desemprego retroalimentam a estagnação da economia e não há vetores para alavancá-la", explica.

Embora os números indiquem uma acomodação dos indicadores do mercado de trabalho, pelo menos dois fatores podem piorá-los: o avanços das reformas do governo Temer - trabalhista e da Previdência - e uma piora do cenário econômico global. “Sob as condições atuais, o caminho é a estabilidade”, espera a economista Lucia Garcia.

Mercado informal

Foi o mercado informal que sustentou a estabilidade da taxa de desemprego. Enquanto o número de empregados com carteira de trabalho assinada caiu 1,4% no trimestre e 3,4% no ano, nos três meses encerrados em maio, a categoria dos empregados no setor privado sem carteira de trabalho chegou a 10,5 milhões, elevação de 2,2% em relação ao trimestre anterior e de 4,1% ante o mesmo período de 2016, um adicional estimado em 409 mil pessoas.

“A carteira de trabalho assinada vem há dois anos em um processo de queda. Foram mais de 2,7 milhões de postos de trabalho, então apesar da desaceleração da desocupação, fica claro que essas pessoas estão migrando para a informalidade”, explicou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, em coletiva de imprensa para a apresentação dos dados.

A deterioração do mercado de trabalho brasileiro é o principal argumento do governo para o avanço de medidas que retiram direitos dos trabalhadores e flexibilizam as relações de trabalho. Nesta semana, o governo obteve nova vitória com a aprovação do texto da reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Coincidentemente, os dados do IBGE foram divulgados no dia em que foi convocada a segunda greve geral contra as reformas do governo federal.
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