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Provas científicas do êxito da aprendizagem socioemocional

(Marcos de Aguiar Villas-Bôas) Livro de doutor em Psicologia por Harvard com professor do MIT comprova cientificamente que as propostas de Pestalozzi já funcionam em escolas ao redor do mundo.

Os últimos textos tiveram maior carga histórico-filosófica, pois buscavam demonstrar que soluções para os problemas educacionais brasileiros existem há séculos e que o cenário atual é resultado de decisões mal tomadas nas políticas públicas, além de uma ainda baixa colaboração da sociedade, que deixa quase toda a tarefa no colo do Estado.

A proposta educacional vislumbrada por Jean-Jacques Rousseau, que se transformou em um método com Johann Heinrich Pestalozzi, depois difundida e desenvolvida por Hipollyte Léon Denizard Rivail, pode parecer vaga para alguns, uma vez que pautada em elementos aparentemente pouco palpáveis, como o progresso moral e emocional dos indivíduos, juntamente com o intelectual.

Isso não procede. O que esses autores descobriram e aplicaram em projetos concretos se manifestou ao longo do século XX e agora no século XXI em diversas abordagens já utilizadas pelo mundo e medidas em estudos científicos, alguns dos quais apresentados no livro “Triplo foco: uma nova abordagem para a educação”, de autoria do pesquisador e doutor em Psicologia pela Universidade de Harvard, Daniel Goleman, e do professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Peter Senge.

Goleman foi quem colocou a inteligência emocional no mapa das instituições de educação, das empresas e de todo aquele que quer progredir. O seu livro “Inteligência Emocional” ficou na lista de The New York Times como mais vendido por 1 ano e meio, tendo sido traduzido para 40 línguas.

Um dos grandes méritos dos autores dos séculos XVIII e XIX foi propor uma educação que colocasse o desenvolvimento da inteligência emocional e da moral num mesmo plano ou até à frente da instrução acadêmica para a qual a educação brasileira quase apenas olha, e numa perspectiva ruim.

A educação no Brasil se tornou um meio para se adquirir bons resultados em testes, como a Prova Brasil, que dá o resultado do Ideb, ou o Enem, ou os vestibulares que ainda existem pelo país, ou os próprios testes em geral que dão aprovação nos cursos e permitem o recebimento dos diplomas.

O desenvolvimento, de fato, das faculdades naturais (capacidades) do indivíduo - que não são diretamente medidas por nenhum desses testes, apesar de as únicas capazes de dar, dentre outras coisas, maior liberdade de escolha, segurança emocional e sensibilidade social aos indivíduos - fica, em regra, praticamente esquecido.  

A educação brasileira, de um modo geral, consiste em treinar indivíduos para memorizar conhecimento a ser requisitado em um teste, enquanto que uma vida feliz, produtiva, com difíceis metas alcançadas, pede que eles tenham maior raciocínio lógico com aptidão para enxergar terceiros incluídos; capacidade de sistematização e inter-relacionamento; estabilidade emocional, que advém de calma, paciência, tolerância etc.; dinamismo, que advém de autonomia, liberdade, coragem para inovar etc.; empreendedorismo, que advém de liderança, criatividade, organização etc.; senso social, que advém de empatia, de humildade, de um olhar caridoso etc.

Há algum tempo, muitos educadores vêm se preocupando com o que veio a ser denominado de Aprendizagem Socioemocional (ASE), que representa parte daquilo que Rousseau, Pestalozzi e Rivail já defendiam mais ou menos 200 anos atrás.

Segundo o livro de Goleman e Senge, um estudo recente em escolas ao redor do mundo que possuem programas de ASE reportou redução em 10% do comportamento antissocial, aumento em 10% do comportamento pró-social e, o que pode parecer curioso, aumento em 11% do desempenho acadêmico nos testes.

A relação entre progresso socioemocional e desempenho acadêmico é óbvia: indivíduos mais felizes, que não passam por distúrbios emocionais, realizam a atividade com prazer, mantêm maior estabilidade, conseguem prender a atenção, ter foco. Isso os faz desempenhar melhor, seja na escola, seja no trabalho, seja em qualquer outro seio social. Segundo Goleman:

“A relação entre os efeitos da ASE no comportamento e no desempenho acadêmico foi a mais grata surpresa. No meu entender, os alunos estão prestando mais atenção porque aprenderam a controlá-la de forma mais eficaz, porque gostam de seus professores e de estar na classe, e porque estão menos preocupados com brigas e com a possibilidade de serem vítimas de bullying”.

Ele lembra ainda que, apesar de a ASE ser hoje um movimento global, são poucas as escolas que a adotam. Isso contribui para a falta de interesse na educação, mencionada em texto anterior, um dos piores legados que a escola pode deixar. Muitas escolas e faculdades brasileiras traumatizam os indivíduos, que passam a ver os estudos como algo necessariamente maçante, chato, cansativo. Uma educação que faz o estudante querer fugir dos estudos é o começo do fim de um país.  

Goleman cita também o exemplo de uma escola em New Haven, Estados Unidos, onde acontecia o que ele chama de “alfabetização emocional”, por meio da qual a professora colocava as crianças em círculo e perguntava como elas se sentiam naquele dia, estimulando-as a falar sobre os seus sentimentos e suas emoções, refletindo sobre eles, organizando-os com ajuda do educador. Em entrevista que realizamos com Cláudia Costin, ela apontou o sucesso de uma prática idêntica promovida isoladamente, de forma muito exitosa, por uma professora no Rio de Janeiro/RJ.

Goleman defende uma educação que promova a autoconsciência, ou autoconhecimento, que permita ao indivíduo conhecer seus sentimentos e emoções – e, assim, as suas qualidades e fraquezas – tornando-se mais preparado para manter a estabilidade emocional, de modo a se preparar para situações que lhe causem dificuldade ou a reagir conscientemente perante elas.

Outro aspecto da educação defendida por Goleman, o maior especialista do mundo em inteligência emocional, é que o educando precisa se sentir parte definidora do processo, contribuindo para o programa educacional com opiniões acerca daquilo que lhe interessa aprender, sabendo explicar o porquê. Sendo tudo imposto a ele, o que normalmente acontece hoje, é compreensível que se veja como um escravo do processo e passe a detestá-lo.

Goleman também menciona estudos que revelam ser a capacidade de manter o foco de atenção, ou trazê-lo de volta após seu desvio, algo muito importante para o aprendizado, estando ela vinculada ao sentimento que o educando tem pelos estudos que realiza.

O psicólogo americano refere-se ainda a exercícios respiratórios que ele presenciou numa escola e que acredita serem um passo para a aplicação da ASE. A ciência da respiração é antiga conhecida no Oriente, parte importante, por exemplo, da Yoga e da meditação, que geram inúmeros benefícios à saúde e à capacidade de manter a atenção e a estabilidade emocional.

Goleman traz ainda o famoso teste do marshmallow, realizado em 1970 na Universidade de Stanford, por meio do qual se media a capacidade de crianças de 4 anos de esperar para obter gratificações maiores em médio a longo prazo. Ela tinha a opção de tomar um marshmallow imediatamente ou de esperar um pouco para tomar dois.

As mesmas crianças foram avaliadas quando já eram adolescentes e se verificou que aquelas capazes de esperar pelos dois marshmallows ainda demonstravam maior aptidão para postergar as gratificações, eram menos “curtoprazistas”. Além disso, ainda mais interessante, os indivíduos menos “curtoprazistas” tinham melhor desempenho no SAT, principal teste utilizado para ingresso nas faculdades.

Mais surpreendente ainda foi que a diferença média entre a pontuação dos indivíduos menos “curtoprazistas” e, provavelmente, mais emocionalmente equilibrados, era de 210 pontos (num total de 1600), o que representava diferença maior do que a obtida nos estudos sobre a relação entre o desempenho dos filhos e a escolaridade dos pais, ou seja, ser emocionalmente equilibrado parece ser ainda mais relevante do que ter pais com boa escolaridade no que toca ao desempenho dos filhos.
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