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Motivo da prisão de Geddel complica ainda mais Temer

A prisão de Geddel Vieira Lima, acusado de obstrução judicial, fortalece a segunda denúncia que será apresentada pelo procurador-geral Rodrigo Janot contra Michel Temer – desta vez, também por obstrução judicial; na Operação Cui Bono, Geddel foi acusado de tentar impedir que Lúcio Funaro e Eduardo Cunha delatassem os esquemas do PMDB na Caixa Econômica Federal, o que reforça tudo que foi dito pelo empresário Joesley Batista; o dono da JBS dizia estar comprando o silêncio da dupla e foi orientado por Michel Temer a lidar com Rodrigo Rocha Loures depois de se encontrar com Temer no Palácio do Jaburu; Joesley dizia que que, após a demissão de Geddel, havia ficado sem interlocutor com o PMDB – e por isso recebeu a indicação para falar com o homem da mala.

O motivo que levou o ex-ministro Geddel Vieira Lima à prisão nesta segunda-feira 3 complica ainda mais a situação de Michel Temer.

Isto porque foi certamente a mando do atual chefe do Planalto que Geddel, seu ex-braço-direito, fez contato com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e com a esposa de Lúcio Funaro para sondar o andamento dos acordos de delação premiada dos presos com a Lava Jato.

Geddel foi preso sob a acusação de tentar atrapalhar as investigações ligadas à Operação Cui Bono, deflagrada em janeiro deste ano para apurar um esquema de fraudes na Caixa Econômica Federal.

O episódio não só confirma a delação premiada do empresário Joesley Batista como faz conexão com o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil da JBS, que na interpretação dos investigadores, devem pertencer a Temer.

Na conversa que teve com Temer no Palácio do Jaburu, Joesley aponta Geddel como seu interlocutor junto ao presidente no que seria a compra do silêncio de Eduardo Cunha e de Lúcio Funaro. Em seguida, o empresário comenta que, depois que Geddel deixou o governo, não pôde mais encontrá-lo.

Em entrevista à revista Época no mês passado, Joesley afirmou ainda que Geddel era o "mensageiro" de Temer, que "toda hora" o procurava para garantir que ele "estava mantendo esse sistema", referência à compra do silêncio de Cunha e Funaro.

"De 15 em 15 dias era uma agonia terrível. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado. Quem estava incumbido de manter Eduardo e Lúcio calmos era eu", declarou.

Diante da colocação do dono da JBS de que não tinha mais com quem falar após a saída de Geddel, Temer indicou Rocha Loures, homem de sua "estrita confiança", e com quem Joesley poderia tratar de todos os assuntos. Pouco tempo depois, Rocha Loures recebeu a mala de dinheiro.

A razão que levou Geddel à prisão, portanto, foi orquestrada por Temer e pode ser o pano de fundo para a elaboração da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra ele pelo crime de obstrução à Justiça.
soudaquimanga

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