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Parte dos empresários brasileiros não entenderam ainda

(J. Carlos de Assis) Os paulistas me surpreendem. Em especial os paulistas ricos. Conversei nesta quinta com o presidente da Abinee, Humberto Barbato, e esperava dele a manifestação de algum desconforto com os rumos da política econômica. Ao contrário, ele se mostrou exultante com a suposta recuperação da economia. Argumentou que em sua área, a indústria eletro-eletrônica, as coisas vão muito bem pelo testemunho dos seus pares. Claro que não pode haver retomada de uma vez. Isso quem pretende, sem razão, são “as esquerdas”.
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Para Barbato, toda desgraça que ainda resta na economia se deve à herança dos 13 anos de governo do PT. Em especial “daquela mulher”. Obviamente que ele não inclui no espólio de Dilma a grande estupidez da isenção fiscal para a linha branca, de que os sócios da Abinee foram beneficiários diretos. Foram bilhões de reais para engordar o lucro da pauliceia rica, sem geração de um único emprego, ao contrário da forma como era justificada. Nos 13 anos o BNDES também esteve sempre aberto para os investidores produtivos.

Como foi um telefonema rápido, não tive tempo para  dizer a Barbato que fui, ao longo dos 13 anos, um crítico frequente dos governos do PT em matéria de política econômica. Achava Palocci um ignorante de economia e Mantega um frouxo. Nenhum dos dois teria condições para dar uma virada na economia brasileira no sentido de cortar as asas da especulação financeira predatória. E capitularam aos interesses do grande capital interno, associado ao internacional, que nos mantém a todos escravizados de forma permanente.

O presidente da Abinee fez largos elogios à maioria governista da Comissão de Constituição e Justiça que aprovou o projeto da chamada reforma trabalhista. Parecia exultante com a possibilidade de restaurar no Brasil o trabalho escravo, o trabalho intermitente, o trabalho de grávidas em áreas insalubres, a terceirização ilimitada, o acordo acima da lei, a destruição da Previdência Social. Em mais de 40 anos de jornalismo e de economia, jamais pensei que alguém tão reacionário, tão retrógrado, a exemplo de Paulo Skaf, pudesse representar um segmento significativo do empresariado brasileiro.

Infelizmente não tive tempo de apresentar meus argumentos sobre a marcha atual da economia, de forma que os apresento agora. A recuperação é uma falácia. Esse fenômeno de circo chamado Meirelles já refez para baixo, como previ há meses, a estimativa do desempenho do PIB este ano. Não é mais 0,5%, como orgulhosamente havia anunciado, mas menos que isso, “porém positivo”. É claro que não será positivo coisa nenhuma pois o Governo, de vontade própria, simplesmente travou a economia inteira, desde o orçamento público ao BNDES.

O fato é que o investimento, o consumo e o gasto público continuam caindo, restando para crescimento apenas o agronegócio. Entretanto, o agronegócio não pode compensar as outras quedas, mesmo porque representa apenas 5,5% da economia. A queda da inflação, muito valorizada por Barbato, se deve a um fator extremamente negativo, justamente o desabamento do investimento, da demanda e do gasto público. E pior do que tudo, a taxa real de juros aumentou, em lugar de cair acompanhando a queda da inflação, devido à política criminosa do Banco Central.

Empresários como Barbato, por sua ignorância ou má fé, representam aquela parcela de ricos financistas do país completamente indiferentes à maior mazela de qualquer economia, o alto desemprego. Estamos chegando à casa dos 15 milhões. É uma realidade social que estimula o ódio entre as classes. A continuar assim, chegaremos à situação da Rússia de 1917, na qual, por falta de mediação do interesse nacional por parte de uma burguesia ilustrada, um punhado de revolucionários fez a revolução social antes da revolução burguesa, por cima da burguesia anti-nacional.
soudaquimanga

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