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O mito da natureza humana má (não se engane)

O conceito que define o homem como naturalmente mau não tem respaldo algum em estudos antropológicos. Na verdade, trata-se de um conceito criado pelo teórico político inglês Thomas Hobbes em sua obra O Leviatã.

Segundo Hobbes, "o homem é o lobo do homem" e está fundamentalmente preocupado com seu ego. Todas as suas ações decorrem da realização de suas necessidades e da probabilidade de alcançá-las com êxito.

Hobbes afirma ainda que "enquanto o homem estiver na condição de mera natureza (...) o apetite privado é a medida do bem e do mal" [1] sublinhando aqui claramente o significado do indivíduo em seus conceitos. Hobbes continua dizendo que, para superar essa barbárie, os homens criam um pacto entre si no qual abdicam do seu estado de natureza a favor de um governante soberano, o qual seria responsável pela paz, segurança e ordem social.

Ou seja, o conceito de "homem mau" foi teorizado para legitimar o Estado absolutista, contra o qual, mais tarde, os liberais clássicos se colocaram e combateram. Porém esse fato não impede que hoje os (neo)liberais utilizem esse conceito para também legitimar o capitalismo baseado no Estado moderno, que não tem nada de absolutista, o que é conceitualmente contraditório. No entanto, as limitações da teoria de Hobbes não param por aí...

Benjamin Kleinerman, professor de ciências políticas da Universidade de Michigan, posteriormente chamou isso em seu livro de "a novidade do individualismo de Hobbes". Como crítico deste conceito, ele nos faz entender que este pensamento do “homem mau” é baseado em um ser individual, com suas necessidades e desejos, cuja realização gira em um fim-em-si absoluto. Em vez de considerá-lo como ente de todo um corpo social, acaba o definindo fora de seu contexto social. [2]

Outro crítico de Hobbes, o filósofo escocês George Croom Robertson, argumentou em seus escritos que: "a imagem das tendências egoístas e anárquicas no homem são claramente exageradas pelo seu escritor, o que, na verdade, é um simples resultado do temperamento de Hobbes, incapaz de entrar nos lados mais nobres da natureza humana".[3]

Além do Kleinerman e Geroge Croom, uma gama de pensadores como Van Mill, Gauthier e o mundialmente famoso Rousseau também fizeram grandes críticas a este pensamento.

É preciso salientar aqui que o homem é muito influenciado pelo meio em que vive. Sendo ele um produto do seu meio, ele é passível de incentivos do arranjo econômico em que está inserido. De acordo com o filósofo e sociólogo Theodor Adorno,  se a competição é o que fundamenta uma economia, como consequência veremos homens egoístas, com suas relações sociais cada vez mais coisificadas, objetivando seus valores em meras relações entre objetos de troca.

O ser humano não é naturalmente bom, mas também não é essencialmente mau. Temos que considerar o contexto social em que viveu para melhor compreendê-lo, como tentou Karl Marx ao encarar o homem como um ser social limitado pelo seu meio. Para ele, a relação entre sujeito e objeto é dialética, onde o sujeito abstrai do objeto as informações, utilizando de diversos instrumentos para estabelece-la.

Evidentemente existem outros fatores que também podem influenciar, como o biológico, mas não cabe aqui dissertar entre esses campos. O que é necessário lembrar é que o homem não é coordenado ou determinado por desejos ou aspirações já inerentes. No máximo, o instinto pela própria sobrevivência e para a sua espécie, que é o instinto básico "programado" no nosso comportamento, sendo os demais fatores externos a ele a chave elementar para avaliarmos seu bom ou mau comportamento.

Um fato muito relevante que também pode ser levado em consideração, é a natureza do macaco Bonobo, cuja cadeia de DNA é 98,7% igual ao do homem. Esses primatas são conhecidos pelos biólogos por uma convivência relativamente pacífica e altamente empática com outros membros do grupo.

O comportamento pacífico pode ser observado em primatas humanos e não humanos como o motor das relações sociais, afirma o primatólogo holandês Frans de Waals , que acredita ser a natureza humana igualmente pacífica, como a de seus ancestrais. [4]

Para vocês terem uma ideia da natureza deste primata, se um bonobo eventualmente tenta ferir uma fêmea, acaba sendo repreendido por todo o grupo e recebe uma espécie de castigo por conta disso.

Assim, percebemos que os liberais e conservadores, ao tentarem justificar o status quo  utilizando o conceito da natureza má do homem, estão se valendo de uma teoria já rechaçada pela ciência para embasar sua defesa do capitalismo, e, desta forma, acabam se revelando totalmente ideológicos.

soudaquimanga

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