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O cachê de R$ 40 mil de Dallagnol

(Carlos Motta) A juventude tem coisas boas, mas outras nem tanto.

Os jovens tendem a se considerar invulneráveis, acham que podem fazer tudo sem que nada tenha consequência, sem que nenhum ferimento resulte das aventuras em que se metem.

Mesmo nos dias de hoje, nos quais o consumismo encharca e obnubila as consciências, há jovens destemidos o suficiente para achar que têm condições de, quais Quixotes, mudar o mundo em um lugar mais acolhedor para se viver.

Alguns desses jovens se lançam, desesperadamente, na paixão pela arte, cultivando versos, melodias, rabiscos ou pinceladas com a marca dos seus hormônios em febre, outros desprezam os afazeres mundanos e entregam suas almas aos mistérios da fé religiosa, e uns tantos se engajam na luta política, muitas vezes até mesmo sem saber que estão fazendo isso.

Todo esse voluntarismo, marca da juventude, geralmente com o passar do tempo vai se transformando em ações mais pragmáticas, pés no chão, "na real", como se costuma dizer.

Nem todos os jovens, porém, seguem esse roteiro.

Existem aqueles que, por mais conhecimentos que adquiram, por mais experiências que passem, se recusam a aceitar a passagem do tempo e as suas inevitáveis sequelas: preocupações com a subsistência, com o trabalho, com a vida familiar, com o corpo que se deteriora, com o trânsito, com o Imposto de Renda...

Esses permanecem, mesmo que os sinais exteriores digam o contrário e sigam indistinguíveis, o resto do rebanho, arriscando seus versos, melodias, pinceladas e rabiscos adolescentes, contando com a sua fé mágica para vencer na vida, ou remoendo a sua indignação contra tudo e contra todos.

Todos nós conhecemos pessoas assim nas nossas famílias, no trabalho, entre os vizinhos e os amigos.

Ou mesmo lendo o noticiário dos jornalões.

Há o exemplo dessa rapaziada, lá na fria Curitiba, que desde há alguns anos vem liderando uma cruzada contra a corrupção, a fonte de todos os males passados, presentes e futuros deste gigante bobo chamado Brasil.

Eles protagonizam as notícias o tempo tempo.

São implacáveis com quem julgam corruptos, ladrões, meliantes, esses indivíduos indignos de viver à solta em nossa sociedade e de conviver com os homens de bem.

Não cansam de dar lições de moral e ética.

Voluntaristas, seguem avante, audazes e com a certeza de que, depois de demolirem as muralhas onde se abrigam as forças do mal, brotará, como por milagre, uma nova civilização, limpa de toda a excrescência que a infestou, para levar ao seu glorioso futuro esta terra onde tudo o que se planta, dá.

É uma rapaziada de dar gosto, também porque está sempre disponível para levar a sua fúria juvenil e seu ardor adolescente, que contagiam e inflamam mentes e corações, a audiências variadas, desde colegas de profissão a fiéis religiosos, passando por "socialites" a cirurgiões plásticos.

Alguns deles, como o imberbe Deltan Dallagnol, encontrou um modo fácil de levar adiante o seu grito de inconformismo: basta que o interessado acesse o site motiveacaopalestras.com.br e procure por seu nome.

Se fizer isso, ficará sabendo que ele, segundo o perfil estampado no site, "é movido por suas crenças" (...), "acredita que pode mudar a forma de combater a corrupção no país" (...), é "metódico e carinhoso", e que "quando aparece para uma entrevista, fica claro que ele preparou cada tópico da fala e não foge do roteiro", driblando assim a "timidez". Além disso, é "cordial, emprega frases de efeito, que também recheiam os processos" e, que "para ele, por exemplo, Lula é o 'comandante máximo' do desvio de recursos da Petrobras".

Como se vê, ele tem muitas convicções.

Que podem ser ouvidas, ao vivo, acompanhadas de expressões contundentes de repulsa e revolta, por um um cachê entre R$ 30 mil a R$ 40 mil.

Uma pechincha. 
soudaquimanga

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