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O Brasil precisa de uma nova democracia urgentemente

(Sergio Storch*) Tão importante quanto defender Diretas Já é unir as forças em torno de um novo projeto democrático para o País

Na visão convencional, não há que falar em novo governo se não há ainda candidato. Proponho subverter essa lógica linear. A formação da estrutura para um novo governo pode se dar desde já, sem esperar convenções partidárias.

A Constituição não cerceia a liberdade de organização. Para as Diretas Já, e para as vencermos, a formação de uma estrutura, leve e ágil, e constituída sem centralismo, é uma arma democrática. Uma estrutura para os desafios imediatos da resistência e da campanha pode ser desenhada para assumir depois o papel de construção de coalizão, e para depois se metamorfosear em governo.

É necessário um ponto de encontro de lideranças políticas e da sociedade civil em todas as áreas que faça convergir aos poucos todos os partidos que se propõem a representar a pauta de uma democracia para o século XXI.

Tal estrutura pode ter força, como sinalizam estes exemplos, que vejo como pontos de apoio de alavancas para rompermos os atuais impasses:

O Projeto Brasil Nação, lançado em abril com a coordenação do ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, mobilizará a partir de junho a inteligência econômica comprometida com um Brasil justo, para debate e aperfeiçoamento da proposta. Para daí nascer o embrião do novo governo, basta que o projeto trate de outros assuntos, tais como a educação dos setores majoritários da sociedade, para que recebam de forma crítica a empulhação ministrada goela abaixo pela Rede Globo.

 Mais de meia centena de bravos diplomatas assinaram uma carta de repúdio à violência do governo, evidenciando debate interno nessa elite de servidores públicos. Essa coragem não pode se diluir. Pode ir além, vendendo às conexões no exterior a visão de um Brasil promissor, no qual as forças democráticas precisam de apoio. Seria o embrião de um think tank para (re)construir esta área num novo governo.

Começa-se a ver entidades no campo da Justiça apresentando, unidas, sua contestação a iniciativas do governo ilegítimo. Além de juízes e da OAB apontando o “derretimento do Estado social”, inúmeras outras articulações que ainda se apresentam fragmentadas podem convergir no sentido de orquestrar a multiplicação de iniciativas que barram a judicialização perversa. Não faltam juízes, procuradores, advogados, policiais e cidadãos em geral para se engajar nesse processo, se houver organização, articulação das lideranças, design e estratégia que canalizem forças ainda dispersas e que, unidas, podem gerar o embrião de uma futura equipe para o Ministério da Justiça

A emergência dessas frentes com papel duplo de defesa e ataque precisa de um pré-ministério da comunicação que use a força em dezenas de veículos, da mídia impressa ao audiovisual (sites, blogs, revistas, tevês, rádios comunitárias, coletivos de jornalistas, youtubers), que, mesmo sem a audiência das grandes redes do cartel midiático, podem chegar de forma capilarizada às pontas do sistema social, se houver bombeamento de conteúdos pelos dutos da mídia sindical e associativa. Vale ressaltar que um único sindicato, o dos Metalúrgicos de São Paulo, distribui 100 mil exemplares em portas de fábrica. E temos organizações sindicais e associativas que podem dar sustentabilidade às mídias alternativas produtoras de conteúdo.

É preciso, desde agora, na organização dos atos de massa pelas Diretas Já desenhar avanços cumulativos de construção organizacional, em rede, abrangendo os estados e os grandes municípios (todos têm lideranças e inteligência), na formação e animação de uma estrutura com esse papel histórico duplo: debater o programa para o futuro e agir no plano imediato nas ações de resistência.

Que incorpore a parte da classe política comprometida com a democracia, numerosa no Legislativo, em todos os níveis federativos. Os candidatos às Diretas Já para a presidência da República, bem como aqueles que se lançarem ao Legislativo em 2018, terão o papel de agutinadores quando chegar o momento de construir suas candidaturas, mas este movimento estruturante pode e deve começar antes de ser feita essa escolha, pois o cronograma democrático não coincide com aquele das campanhas eleitorais.

Comecemos a exercitar assim uma democracia social que puxe os futuros governantes, pondo fim ao paradigma linear que deixa todos à espera das decisões dos partidos. Não é para esperar. Cada liderança, em cada campo, em cada sindicato ou entidade, pode desde já mover um tijolinho, e em cada lugar o processo começa a se coagular. E pode ser rápido, se conjugar as virtudes da combinação de papeis centralizados com os descentralizados e os espontâneos. Vejo nos órgãos de mídia alternativa a potencialidade de cada um deflagrar esse processo na direção do que chamei de “pré-ministério da comunicação”, que pode fazer acontecer todos os demais, num efeito dominó. 
soudaquimanga

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